
Sabe aquele artista cujas músicas têm letras que mais parecem um desabafo com uma pessoa de confiança que qualquer coisa? Scout tem esse tipo de criatividade. Nascida na Alemanha, ela cresceu na Suécia e, quando era adolescente, se mudou para o Reino Unido, onde mora até hoje.
A carreira de Scout começou na adolescência, quando ela participou de uma banda britânica onde foi vocalista e compositora. Mais tarde, a cantora lançou as canções autorais NEVER FADE e WELSH BORDER (BEDROOM INTERLUDE), em inglês, no SoundCloud, além de um cover de I Need My Girl da banda The National.
Outros artistas contemporâneos como Billie Eilish, Post Malone e Lil Nas X começaram suas carreiras na mesma plataforma de áudio.
Em 26 de setembro de 2023, Scout deu o pontapé oficial na carreira solo com o single The Best. Desde então, ela conquista o público mostrando o processo criativo das músicas nas redes sociais.
No fim do ano passado, Scout lançou Who e, em janeiro, se juntou a Phoebe Green para remixar a música.
O terceiro single da cantora, Hurt, que narra a percepção do declínio de um relacionamento antes do término proclamado, chegou no mês seguinte.
Finalmente, a alemã liberou o EP Everything Will Make Sense em 1º de março. Além dos singles citados anteriormente, o mini-álbum de pop alternativo inclui Last Time e Gemini Baby.
Scout é creditada como compositora de todas as músicas da discografia, que falam principalmente de experiências pessoais da artista.
As letras descrevem desde relacionamentos com figuras de autoridade até sentimentos como ansiedade e falta de foco, e são contadas de forma semelhante a uma conversa entre amigos.
Executada por George Glew e Alex Beitzke, a produção das faixas acompanha o tom das narrativas ao mesmo tempo em que o amplia.
O Prisma Cult conversou com Scout sobre a visão artística e o processo criativo por trás das obras dela.
Leia a tradução do bate-papo:
PRISMA CULT: Quem é a artista Scout?
SCOUT: Scout é uma artista de pop alternativo que se inspira em uma ampla gama de influências. Ainda estou no início da jornada para descobrir quem eu sou. Talvez, em alguns anos, isso fique mais claro e seja mais fácil responder a essa pergunta.
PRISMA: Você nasceu em Hamburgo, foi criada em Norcopinga e mora em Londres desde a adolescência. Qual é a influência desses lugares em sua música?
SCOUT: Eu ouço muitos tipos diferentes de música. Não tenho certeza do quanto esses lugares influenciam meu som atualmente. Quando eu era mais nova, acho que provavelmente era mais influenciada por artistas suecos, porque as redes sociais não eram o que são hoje em dia, mas hoje sinto que elas estão em tudo que consumo. Eu sinto que me inspiro em tudo e em qualquer coisa ao meu redor no momento.
PRISMA: Como você aprendeu inglês?
SCOUT: Inglês é minha segunda língua, eu aprendi quando era criança. Sempre tive o idioma comigo.
PRISMA: Há quase 3 anos, você lançou um "cover" comovente de I Need My Girl do The National. Quem são suas maiores influências artísticas e como você se inspira nelas ao mesmo tempo em que se mantém fiel à sua arte?
SCOUT: Eu me inspiro em muitos artistas e compositores, em todos os tipos de gênero e também no cinema e na arte em geral. Ultimamente tenho ouvido muitas artistas do pop alternativo como Sharon Van Etten e Caroline Polachek, mas ainda tenho um espectro bastante amplo, o que eu considero bom, porque é menos provável que você se inspire demais em alguém. Eu acho que, como cantora e compositora, no fim das contas, sua voz, sua história e sua expressão natural é o que faz com que as coisas tenham sua cara e, ao lembrar disso, acho que você se mantém fiel à sua arte.
PRISMA: No início do mês, você lançou um EP chamado Everything Will Make Sense e está creditada como compositora de todas as 6 faixas. Como é o processo de criação das suas letras?
SCOUT: Normalmente, eu componho as letras ao mesmo tempo em que crio o som e a música. Tenho uma ideia geral e anoto palavras que capturam a essência do que quero dizer e, em seguida, costumo aprimorá-las à medida que trabalho mais na música. É parecido com quando se escreve um livro, imagino. Você faz um primeiro rascunho e depois edita e ajusta um pouco à medida que progride e tem tempo para se acostumar com ele. Acho que é importante manter o fluxo e não pensar demais quando estiver escrevendo. Só escreva as coisas, você pode ajustar depois.
PRISMA: Hurt e Last Time narram a perspectiva individual em dois lados do espectro de um mesmo relacionamento falido, conforme você citou em entrevistas anteriores. Qual é a sensação de revelar esses sentimentos para o mundo por meio de suas canções?
SCOUT: Eu não me importo com isso. As minhas letras não são como um trecho de diário, porque, para mim, elas estão lá para aprimorar a sensação geral da música e vice-versa. Eu me inspiro numa coisa que aconteceu comigo ou em algo pelo qual passei ou com o qual me conecto, mas compor músicas é apenas outra maneira de contar uma história, portanto não há regras rígidas. O principal é que o tema e a experiência subjacentes sejam algo com que eu me conecte e queira expressar.
PRISMA: Você já revelou que a produção de Hurt estava "bonitinha demais" nas primeiras versões da música, apesar do tema de término precoce, mas você e George Glew resolveram esse problema adicionando um som mais áspero que o que seria normalmente usado numa música pop. Por favor, fale mais sobre como você usa a produção para definir o tom de suas músicas.
SCOUT: Nós geralmente deixamos a música e a melodia definirem o tom da produção, mas ainda mantemos alguns elementos semelhantes em todas as faixas em prol da coesão geral. Eu acho que uma boa produção deve simplesmente aprimorar a música e a sensação dela.
PRISMA: Que tipo de marca você quer deixar no mundo?
SCOUT: Eu posso apenas desejar que seja alguma coisa positiva, mas acho que a beleza de criar música e arte é que, quando você a libera pro mundo e compartilha com os outros, ela se transforma em algo único para cada pessoa e, como artista, você não tem controle sob em que lente ou estado emocional as pessoas a veem. Para mim, é suficiente que ela esteja disponível para as pessoas ouvirem, acrescentando algo ao dia e à experiência das pessoas naquele momento, não importa se grande ou pequeno.
O Prisma Cult revela, com exclusividade, que Scout está criando o segundo EP de estúdio.
O primeiro EP, Everything Will Make Sense, está disponível em todas as plataformas digitais.
Scout é representada pela OFFBEAT TALENT e tem as músicas distribuídas pela Sweat Entertainment. Siga a cantora nas redes sociais.