
Sete anos após a despedida épica de Hugh Jackman como Wolverine no filme Logan de 2017 e seis anos após a última vez que vimos Deadpool, ambos personagens retornam para uma parceria grandiosa.
A trama se passa em 2024, na Terra-10005. Wade (Ryan Reynolds) trabalha como vendedor de carro com Peter (Rob Delaney) e a sua vida tornou-se monótona, após não atuar mais como o mercenário, e seu relacionamento com Vanessa (Morena Baccarin) não ter dado certo.
As coisas viram do avesso quando a AVT (Autoridade de Variância Temporal) precisa que Deadpool busque um Wolverine, na tentativa de salvar a linha temporal de Wade.
Enquanto nos filmes anteriores o elenco de apoio do Deadpool era extremamente importante para a história, se os retirassem aqui, não faria diferença alguma. A justificativa é simples, esses personagens não se encaixam no enredo. Poderiam ter sido inseridos num momento específico no arco final, porém a glória fica apenas para os personagens-título.
A AVT neste filme não passa despercebida quando adicionam mais burocracias e regras às linhas temporais e ao Multiverso, para além daquilo que já foi estabelecido em Loki.
Desta vez, introduzem o conceito de Âncora: se essa pessoa morre numa linha do tempo, essa precisa ser dizimada. Então, ao perder essa Âncora, a Terra-10005 corre perigo.
É aqui que o filme começa realmente, quando vemos uma montagem de Deadpool indo atrás de algum Wolverine que se junte a causa e vemos as variantes mais diversas, fiéis aos quadrinhos e até um cameo de explodir a cabeça.
Deadpool encontra o Wolverine que lhe irá acompanhar até o fim do filme: o pior Wolverine de todos. Podre de bêbado, que mal se aguenta em pé, porém, ele usa o icônico traje amarelo que nunca havia sido adaptado para o cinema. Isso é suficiente para Wade.
A partir daqui, muito da história se passa no Vazio, também introduzido em Loki. Inicialmente é tudo bastante familiar, mas logo começamos a ver uma versão do Vazio que nos faz perguntar se eles ainda estão lá mesmo, o que pode causar algumas inconsistências com o que já havia sido previamente estabelecido.
Mas de qualquer forma, o coração da história está aqui, está nas lutas extremamente bem coreografadas e que apresentam uma nova forma de luta do Wolverine, que também nunca haviam ousado trazer para as telonas, ao som de trilhas-sonoras atemporais.
A introdução da vilã Cassandra Nova (Emma Corin) que é bastante poderosa, mas sofre o que todos os vilões do MCU também sofrem: falta sentirmos o perigo.
É claro, que num filme que junta Deadpool e Wolverine e vemos a AVT envolvida, era de se esperar que houvessem cameos, e sim, eles acontecem. O mais surpreendente é que fogem completamente do óbvio, você acha que vai ver um personagem mas te surge outro.
Os óbvios poderiam aparecer também? Sim, mas o filme decide dar destaque a outros. A melhor parte desses cameos é que eles são importantes para a continuação da trama, não são gratuitos, fazem sentido. Mas talvez os fãs mais casuais da Marvel não se importem tanto.
É neste ponto que devo dizer que esse filme é uma carta de amor ao Universo Fox, aos filmes que conhecemos e até mesmo aos que não aconteceram. Ao invés de nos lembrarmos que filmes como X-Men: Fênix Negra e Os Novos Mutantes encerraram o Universo Fox, vamos nos lembrar deste filme.
No fundo, Deadpool & Wolverine é uma excelente experiência cinematográfica. A química entre Reynolds e Jackman traz um bom equilíbrio para a tela, e as observações e piadas durante a quebra da 4ª parede estão melhores do que nunca, apresentando referências recentes à cultura pop e ao UCM.
Certamente é um dos grandes lançamentos deste ano.
Nota: 8/10
Deadpool & Wolverine é o único filme do Universo Cinematográfico da Marvel a estrear em 2024 e será lançado já nesta quinta-feira (25).