X-Men: quando o cinema encontra (e exagera) a ciência

Até onde a mitologia genética dos mutantes é real e como ela pode ajudar a divulgar a verdadeira ciência; biotecnologista comenta.

08/01/2026 às 21h29 Atualizada em 07/02/2026 às 16h59
Por: João Pedro Dias
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Patrick Stewart como Professor X em “Vingadores: Doutor Destino” — Crédito: Disney
Patrick Stewart como Professor X em “Vingadores: Doutor Destino” — Crédito: Disney

Você está aguardando ansiosamente o lançamento de Vingadores: Doutor Destino (2026)? Se sim, seria justo agradecer a X-Men: O Filme (2000).

Se hoje existe uma indústria de filmes de super-heróis sólida o suficiente para sustentar franquias bilionárias como a dos Vingadores, é porque, lá atrás, o primeiro longa da icônica equipe de mutantes agradou à crítica e ao público, arrecadando mais de 295 milhões de dólares mundialmente.

Ao longo dos quase 14 anos seguintes ao lançamento do primeiro X-Men, a franquia ganhou quatro sequências, sem considerar os longas derivados.

Numa época sem Universo Cinematográfico da Marvel — que, apenas em 2025, lançou três filmes — isso era bastante coisa.

Será que o impacto cultural dos filmes dos X-Men se reverte para outras áreas como a ciência? Afinal, esses longas contam a história de super-heróis cujos poderes derivam de uma unidade genética conhecida como gene-X.

O que é o gene-X?

James Marsden como Scott Summers/Ciclope em
O mutante Ciclope (Scott Summers), interpretado por James Marsden em Vingadores: Doutor Destino, pode disparar rajadas concussivas de seus olhos, habilidade concedida pelo gene-X — Crédito: Disney

Nos quadrinhos da Marvel, o gene-X é resultado da manipulação genética ancestral de uma entidade cósmica conhecida como Oneg, o Investigador.

Um gene básico, com potencial latente para desencadear poderes, teria sido inserido e repassado até o humano moderno, consolidando-se nos mutantes como um marcador genético cujo desbloqueio é provocado por radiação ou estresse.

Uma vez ativado, o gene-X produz uma proteína exótica que envia sinais químicos e induz mutações em outros genes, resultando em poderes variados.

O papel da ciência na identificação do público com os X-Men

Thales Alex Cunha, 24, é “fã de carteirinha” dos X-Men e gosta quando as histórias abordam explicações científicas:

“Eu, particularmente, gosto bastante, porque sinto que isso os aproxima da nossa realidade. Hoje em dia, tudo o que desperta a sensação de que poderia acontecer no mundo real tende a nos atrair”.

Natalie Romeu, 23, bacharel em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua em pesquisa de câncer com ênfase em genética na Fiocruz Bahia e concorda: os conceitos científicos dos X-Men se conectam com a realidade:

“Apesar de serem exagerados, dá pra acreditar em todos os conceitos, e podemos fazer paralelos com tecnologias que nós já temos. A inserção de um gene exógeno, que não estava lá antes, por exemplo: isso já é feito rotineiramente. Organismos mais simples, como as bactérias, já têm capacidade de fazer troca de genes para aumentar a sua variabilidade genética e as suas chances de sobrevivência. A gente aproveita esse mecanismo natural das bactérias para inserir genes de interesse e produzir, por exemplo, insulina humana. No contexto dos X-Men, a insulina seria a proteína exótica que o gene-X produz”.

No entanto, os agentes de ativação do gene-X (estresse e radiação) causam reações aleatórias demais na vida real para ativar um gene selecionado:

“É difícil acreditar que esses estressores iriam ativar o gene-X. É mais provável mesmo que eles iriam causar um câncer. Na ficção, a proteína exótica do gene-X se expressa de maneira, no mínimo, milagrosa. Mas, pelo menos conceitualmente, faz sentido: ela age como uma ferramenta de edição genética”.

Natalie acredita que a incorporação de conceitos científicos em histórias fictícias é positiva para a verdadeira ciência:

“No final das contas, a vontade de seguir uma carreira de cientista vem dessa nossa fantasia infantil. A ficção pode gerar essa vontade de estudar algo mais profundamente, e a ciência é a área perfeita para isso. A genética real, por exemplo, é tão fantástica quanto nas histórias dos X-Men”.

Os X-Men retornam em Vingadores: Doutor Destino, que chega aos cinemas nacionais em dezembro de 2026.

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