
Você está aguardando ansiosamente o lançamento de Vingadores: Doutor Destino (2026)? Se sim, seria justo agradecer a X-Men: O Filme (2000).
Se hoje existe uma indústria de filmes de super-heróis sólida o suficiente para sustentar franquias bilionárias como a dos Vingadores, é porque, lá atrás, o primeiro longa da icônica equipe de mutantes agradou à crítica e ao público, arrecadando mais de 295 milhões de dólares mundialmente.
Ao longo dos quase 14 anos seguintes ao lançamento do primeiro X-Men, a franquia ganhou quatro sequências, sem considerar os longas derivados.
Numa época sem Universo Cinematográfico da Marvel — que, apenas em 2025, lançou três filmes — isso era bastante coisa.
Será que o impacto cultural dos filmes dos X-Men se reverte para outras áreas como a ciência? Afinal, esses longas contam a história de super-heróis cujos poderes derivam de uma unidade genética conhecida como gene-X.
Nos quadrinhos da Marvel, o gene-X é resultado da manipulação genética ancestral de uma entidade cósmica conhecida como Oneg, o Investigador.
Um gene básico, com potencial latente para desencadear poderes, teria sido inserido e repassado até o humano moderno, consolidando-se nos mutantes como um marcador genético cujo desbloqueio é provocado por radiação ou estresse.
Uma vez ativado, o gene-X produz uma proteína exótica que envia sinais químicos e induz mutações em outros genes, resultando em poderes variados.
Thales Alex Cunha, 24, é “fã de carteirinha” dos X-Men e gosta quando as histórias abordam explicações científicas:
“Eu, particularmente, gosto bastante, porque sinto que isso os aproxima da nossa realidade. Hoje em dia, tudo o que desperta a sensação de que poderia acontecer no mundo real tende a nos atrair”.
Natalie Romeu, 23, bacharel em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), atua em pesquisa de câncer com ênfase em genética na Fiocruz Bahia e concorda: os conceitos científicos dos X-Men se conectam com a realidade:
“Apesar de serem exagerados, dá pra acreditar em todos os conceitos, e podemos fazer paralelos com tecnologias que nós já temos. A inserção de um gene exógeno, que não estava lá antes, por exemplo: isso já é feito rotineiramente. Organismos mais simples, como as bactérias, já têm capacidade de fazer troca de genes para aumentar a sua variabilidade genética e as suas chances de sobrevivência. A gente aproveita esse mecanismo natural das bactérias para inserir genes de interesse e produzir, por exemplo, insulina humana. No contexto dos X-Men, a insulina seria a proteína exótica que o gene-X produz”.
No entanto, os agentes de ativação do gene-X (estresse e radiação) causam reações aleatórias demais na vida real para ativar um gene selecionado:
“É difícil acreditar que esses estressores iriam ativar o gene-X. É mais provável mesmo que eles iriam causar um câncer. Na ficção, a proteína exótica do gene-X se expressa de maneira, no mínimo, milagrosa. Mas, pelo menos conceitualmente, faz sentido: ela age como uma ferramenta de edição genética”.
Natalie acredita que a incorporação de conceitos científicos em histórias fictícias é positiva para a verdadeira ciência:
“No final das contas, a vontade de seguir uma carreira de cientista vem dessa nossa fantasia infantil. A ficção pode gerar essa vontade de estudar algo mais profundamente, e a ciência é a área perfeita para isso. A genética real, por exemplo, é tão fantástica quanto nas histórias dos X-Men”.
Os X-Men retornam em Vingadores: Doutor Destino, que chega aos cinemas nacionais em dezembro de 2026.