Crítica: “O Diabo Veste Prada 2” estabelece um padrão elevado para as sequências hollywoodianas

Após 20 anos de espera, estamos de volta à redação da Runway, e não poderia ter sido um retorno melhor.

28/04/2026 às 22h39 Atualizada em 28/04/2026 às 22h40
Por: Cida Gomes
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Anne Hathaway como Andy Sachs em “O Diabo Veste Prada 2” — Crédito: Disney
Anne Hathaway como Andy Sachs em “O Diabo Veste Prada 2” — Crédito: Disney

Antes de comentar a sequência, vamos voltar para 2006 para recapitular o primeiro filme. Em “O Diabo Veste Prada”, o público é convidado à acompanhar a rotina de Andy Sachs (Anne Hathaway), uma jornalista recém formada, como assistente da editora-chefe da revista Runway, Miranda Priestly (Meryl Streep). O cargo de assistente é descrito como “o sonho de todas as garotas”, porém, logo fica claro que o sonho é, na verdade, um pesadelo moldado pelas exigências absurdas da chefe.

Agora, 20 anos depois, Andy retorna à redação da Runway após ser convidada para se tornar a nova editora de reportagens especiais da revista, com o intuito de gerenciar uma enorme crise que coloca a reputação da prestigiada revista em jogo.

Confesso que fui ao cinema sem nenhuma expectativa quanto ao que iria ser apresentado ao longo do filme, apesar de estar animada em rever um elenco tão poderoso. Afinal, não é todo dia que uma colaboração tão boa entre Meryl Streep, Anne Hathaway, Stanley Tucci e Emily Blunt se repete nas telonas. O lado bom de não ter expectativas é poder se permitir ser surpreendida por um roteiro chocantemente bom, quiçá melhor construído que o primeiro.

Há muitas partes que me conquistaram nesta nova narrativa, mas vou optar por me apegar no tom crítico e sagaz que o filme adota diante do estado em que o jornalismo global se encontra em uma era de mídias sociais, big techs e inteligência artificial.

Em uma entrevista para USA TODAY Entertainment, Anne Hathaway descreveu o filme como “urgente e muito humano”, além frisar que é muito importante estar do lado certo da história, que seria o lado da verdade. E eu não poderia concordar mais com as colocações da atriz acerca do tema.

O filme já se inicia em uma sequência onde um grupo de jornalistas excepcionais e premiados, a redação a qual Andy faz parte, é demitido em massa via mensagem. Além disso, nós podemos ver como as redes sociais modificaram o interesse do público quanto às matérias, redução de orçamento nas editorias da revista e a falta de liberdade em poder contar histórias “de verdade.”

Outra sacada muito audaciosa com que o roteiro nos presenteia é uma nada sútil crítica aos rumores da venda da revista Vogue para o bilionário Jeff Bezos. O arco da Emily Charlton (Emily Blunt) deita e rola no mundinho tech, cheio de bilionários rasos e sem repertório cultural, que são tomados pela ânsia de ter e o tédio de possuir. Criou em mim até uma certa angústia pela forma tão real que o roteiro abordou uma iminente ruína do legado da Runaway

Emily Blunt como Emily em "O Diabo Veste Prada 2" — Crédito: Disney

Se você está preocupado com um possível caso de flanderização, quando os personagens viram apenas uma caricatura de si mesmos, não é a situação dessa sequência, eu garanto. O quarteto principal nitidamente amadurece neste gap de 20 anos, as essências permanecem, mas é nítido que há mudanças. 

Andy continua divertida, inteligente e desastrada, mas adota uma postura mais confiante e segura de si. Miranda não pode mais ser descrita como uma “megera”, já que agora conseguimos notar camadas mais humanas na personagem, coisa que originalmente surgiu apenas como um vislumbre. Já o Nigel (Stanley Tucci) continua sendo o homem de poucas palavras, braço direito da editora-chefe, porém finalmente ganha o seu merecido destaque.

Anne Hathaway como Andy, Meryl Streep como Miranda Priestly e Stanley Tucci como Nigel em "O Diabo Veste Prada 2" — Crédito: Disney

Com o mesmo tom ácido do filme de 2006, cores vibrantes, extravagância e luxos, “O Diabo Veste Prada 2” mostra que sequências não precisam se apegar à nostalgia para funcionarem. É mais que um acerto, é uma carta de amor aos fãs e ao filme original.

That's all.

Nota: 8/10 

O filme estreia nesta quinta-feira, 30 de abril, nos cinemas brasileiros.

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