
Superman chega ao mundo com a missão de ser o filme pontapé da nova era da DC no cinema após uma sequência de longas terríveis como Shazam! Fúria dos Deuses, Flash e Aquaman 2: O Reino Perdido.
Mas diga “adeus” a essa antiga fase das trevas, pois a nova é comandada por James Gunn.
Gunn reconhecidamente dirigiu a trilogia de Guardiões da Galáxia, da Marvel Studios, e O Esquadrão Suicida, parte da antiga gestão da DC. Todos esses projetos têm história, técnica e atuações sólidas.
Sim, essas são características essenciais de qualquer filme digno, mas estão cada vez mais escassas na categoria de super-heróis. Felizmente, Superman tem a maioria delas.
O enredo humaniza o herói por trás da capa. Superman (David Corenswet) é simplesmente um homem bom e isso é lindo. Ao invés de destacar esse aspecto por meio da “versão humana” Clark Kent, a trama o faz de maneira mais interessante, através das dinâmicas com Lois Lane (Rachel Brosnahan), o cão Krypto e Lex Luthor (Nicholas Hoult).
Ah, Nicholas Hoult… O melhor ator do filme. A forma com que ele dá vida a Lex é visceral, encarnando a inveja do personagem em ações desesperadas e expressões maníacas. Impecável.
Uma dessas ações envolve um universo compacto, um subenredo que achei “fora da caixinha” demais para a história e que a atrapalha e muito, pois se espalha pelo segundo e terceiro ato do longa. Poderia ter regras mais claras e uma explicação melhor.
Cabe destacar a Gangue da Justiça composta por Senhor Incrível (Edi Gathegi), Lanterna Verde (Nathan Fillion) e Mulher-Gavião (Isabela Merced). Eles formam um contraste necessário com o Superman, pois são exemplos de meta-humanos, como são chamadas as pessoas superpoderosas na DC, cujo senso de moral não é tão perfeito quanto o de Clark.
Aliás, as cenas aéreas da Mulher-Gavião são incríveis. Para o Superman, além de incríveis, os voos têm um visual fresco — às vezes literalmente, pois o vento movimenta a capa e o cabelo de um jeito que não estou acostumado a ver em filmes do gênero, exceto talvez em Mulher-Maravilha 1984. Estou ansioso para ver no making-of (o qual espero que seja liberado) qual técnica foi usada para executar cada take.
No geral, Superman é revigorante, tecnicamente bem executado e tem boas atuações, mas seria melhor com um enredo mais consistente.
Nota: 7,5/10.
Estreia hoje, 10 de julho, nos cinemas brasileiros